Imóveis Favoritos

A casa precisa combinar com a vida de quem vai morar nela.

Quando a gente entra em um imóvel, é natural reparar primeiro no que chama mais atenção. A vista, o tamanho da sala, a cozinha, a área de lazer e os acabamentos acabam conduzindo a visita. Só que escolher uma casa para a família envolve mais do que gostar do que estamos vendo naquele momento.


É preciso tentar imaginar a vida acontecendo ali.

Onde as crianças ficariam enquanto alguém prepara o jantar?

A família costuma receber pessoas?

Existe espaço para os momentos juntos e também para quando cada um precisa ficar um pouco mais quieto?


Essas perguntas parecem simples, mas ajudam a olhar o imóvel de uma forma mais próxima da realidade.


Como mãe de três filhos, eu percebo que a casa não precisa apenas estar bonita quando a gente chega. Ela precisa continuar fazendo sentido numa segunda-feira comum, com a rotina acontecendo, brinquedos fora do lugar, refeições para organizar e todo mundo vivendo ao mesmo tempo.


Antes de escolher a casa, vale observar a rotina


Cada família vive de um jeito.


Algumas passam boa parte do tempo na cozinha. Outras se reúnem mais na sala. Algumas recebem amigos e parentes com frequência. Outras valorizam mais a privacidade e os momentos tranquilos. Por isso, um imóvel que funciona muito bem para uma família pode não atender outra da mesma maneira.

Antes de começar a busca, vale pensar:


  • Quais são os ambientes mais usados atualmente?
  • O que funciona bem na casa de hoje?
  • O que mais incomoda na rotina?
  • A família costuma receber pessoas?
  • As crianças precisam ficar próximas dos adultos?
  • Alguém trabalha em casa?
  • Existe alguma mudança prevista para os próximos anos?


Não é necessário ter todas as respostas prontas. Mas entender um pouco melhor a rotina ajuda a não escolher apenas pela primeira impressão.


A vida real é diferente da visita ao imóvel


Durante uma visita, tudo está mais organizado e silencioso. Em um apartamento decorado, cada objeto foi escolhido para valorizar o projeto.


A vida real é diferente. Existem bolsas, mochilas, compras, brinquedos, roupas, visitas e horários que se encontram. Uma família precisa sair de casa pela manhã e voltar no final do dia. Às vezes, alguém está trabalhando enquanto outra pessoa assiste à televisão e as crianças brincam.


Por isso, gosto de imaginar não apenas como aquele imóvel aparece na fotografia, mas como seria viver ali em um dia comum.

A casa não precisa estar preparada para uma ocasião especial o tempo todo. Ela precisa funcionar principalmente nos dias normais.


Os ambientes mostram como a família pode conviver


Não é necessário entender de arquitetura para perceber como um ambiente faz a gente se sentir. Existem salas que convidam as pessoas a permanecer. Cozinhas em que é possível preparar uma refeição sem ficar afastado de todo mundo. Varandas que acabam se tornando o espaço preferido da casa.


O importante não é seguir uma regra sobre ambientes integrados ou separados.


Algumas famílias gostam de ter tudo mais próximo. Outras preferem preservar determinados espaços. A escolha depende da forma como cada uma convive. O que vale observar é se o imóvel favorece a rotina que aquela família deseja ter.


Uma casa também precisa acompanhar as mudanças


A necessidade de uma família não permanece igual para sempre. Os filhos crescem, a rotina profissional muda, os hábitos se transformam e os ambientes começam a ser usados de outras formas. Um quarto que hoje é do bebê pode precisar acompanhar várias fases. Um espaço usado para brinquedos pode se tornar uma área de estudos. Um cômodo de apoio pode virar escritório ou receber familiares. Isso não significa que a casa precise prever tudo o que acontecerá no futuro.


Quando a compra envolve um projeto de longo prazo, é importante pensar se aquele imóvel oferece alguma flexibilidade para acompanhar as mudanças mais prováveis.


Nem tudo o que parece essencial será realmente usado


Um uma visita, é fácil se encantar com uma lista extensa de ambientes e áreas comuns. Mas nem todas as famílias usam a casa da mesma forma.

Uma área de lazer completa pode ser importante para quem tem filhos e pretende aproveitá-la no dia a dia. Para outra pessoa, talvez localização, privacidade ou facilidade de manutenção tenham um peso maior.


Antes de considerar uma característica indispensável, vale perguntar se ela realmente fará parte da rotina ou se chamou atenção apenas durante a apresentação.


Escolher bem também envolve saber o que não é prioridade.


A localização também participa da rotina


A experiência de morar não termina na porta do apartamento. O tempo gasto nos deslocamentos, a proximidade de serviços, a facilidade para realizar tarefas simples e a relação com o bairro interferem diretamente no cotidiano. Para algumas famílias, estar perto da escola será uma prioridade. Para outras, será importante conseguir caminhar até a praia, ter comércio próximo ou acessar rapidamente outras cidades.


Uma boa localização não é a que mais se valoriza. É a que mais faz sentido para a sua vida.


Morar perto do mar não é apenas ter uma vista


No litoral, é comum que a atenção fique concentrada na distância da praia ou na vista do apartamento. Esses pontos têm valor, mas a experiência pode ir além. Morar perto do mar pode significar caminhar no final do dia, ter mais contato com espaços abertos ou criar uma rotina diferente com os filhos. Para algumas famílias, isso será muito presente, para outras, a proximidade da praia pode ter um peso menor do que o acesso ao trabalho, à escola ou aos serviços.


A casa certa não é igual para todo mundo


Não existe uma planta, metragem ou localização que funcione para todas as famílias. Uma casa pode ser excelente e, ainda assim, não combinar com determinada rotina.


Por isso, antes de apresentar um imóvel, é importante entender quem vai viver ali, em qual fase da vida está e o que espera daquela mudança.

A escolha começa a ficar mais clara quando o imóvel deixa de ser analisado apenas pelas características e passa a ser relacionado à vida de quem está comprando.


No fim das contas, uma casa precisa entregar mais do que metros quadrados. Ela precisa fazer sentido para a vida de quem vai viver nela.


Perguntas frequentes


O que considerar ao escolher uma casa para a família?

Considere a rotina, o número de moradores, a idade dos filhos, os ambientes mais utilizados, os deslocamentos e as possíveis mudanças dos próximos anos.


Como saber se um imóvel combina com a rotina familiar?

Durante a visita, imagine um dia comum naquele espaço. Pense nas refeições, no trabalho, na organização, nos momentos com os filhos e na forma como a família costuma conviver.


Qual é o melhor tamanho de apartamento para uma família?

Não existe uma metragem ideal para todas as famílias. O melhor tamanho depende do número de moradores, da distribuição dos ambientes e da forma como o espaço será usado.


Uma área de lazer completa é essencial para quem tem filhos?

Pode ser relevante, mas depende da rotina. É importante avaliar se a família realmente utilizará os espaços e se os custos do condomínio são compatíveis com o uso esperado.


O que observar na localização de um imóvel para morar?

Observe os deslocamentos, a proximidade de escolas e serviços, o acesso às principais vias, a rotina do bairro e a qualidade de vida que aquela localização pode proporcionar.


Aqui eu deixo uma reflexão:


O melhor imóvel não é o que chama mais atenção. É o que funciona melhor para a vida da sua família.




Por Gabriela Graciano,

Publicitária, pós-graduada em Fotografia, Imagem e Movimento e em Marketing, Branding e Experiência Digital. Com vivência no mercado imobiliário desde a adolescência, une comunicação e experiência para falar sobre imóveis a partir da vida de quem vai morar neles.

Compartilhe: